quinta-feira, 3 de março de 2011

Entrevista com Frei Alvaci Mendes da Luz, ofm, 1° Parte!

Eu gostaria de agradecer ao amigo, Frei Alvaci Mendes da Luz,ofm, por sua disponibilidade em refletir conosco, sua opinião neste blog.
A todos aqueles que gostam de uma leitura dinâmica, de respostas sábias e de fácil compreensão, adianto que valerá muito à pena nos acompanhar nessa entrevista abençoada, onde Frei Alvaci partilha conosco ideias e experiências para a nossa caminhada na Catequese.

Blog: Qual a sua visão em relação à catequese nos dias atuais?

Frei Alvaci:
Em primeiro lugar gostaria de dizer que é uma alegria poder falar com vocês, sobre a catequese. Sempre tive um carinho especial pelos catequisandos e tenho por principio que devemos incentivar e apoiar a catequese em nossas paróquias e comunidades. Costumo dizer que a catequese é alma da paróquia, simplesmente pelo fato de serem as crianças de hoje, a igreja de amanhã.
Contudo, apesar dos grandes esforços da Igreja e sobretudo dos catequistas, nossa pastoral catequética ainda é um pouco deficitária. Faltam catequistas, faltam materiais, e falta sobretudo preparação, formação, etc. Num mundo de opções diversas, de globalização, em que nossas crianças são bombardeadas por informações mais variadas possíveis e imediatas, nosso discurso catequético se mostra enfraquecido. Creio que o maior problema seja para a Igreja dar uma linha de Pastoral catequética organizada.
A catequese atravessa, atualmente, um tempo novo. É chamada a refazer muitas coisas e a repensar sua maneira de transmitir a fé. Num mundo em mudança constante, é preciso perceber e enfrentar os desafios com lucidez e otimismo. Em que condições devemos relatar Jesus Cristo para que, aos nossos contemporâneos, ele se revele como uma verdadeira Boa Nova? A catequese hoje, empreende um importante trabalho de inculturação dessa Boa Nova no mundo.
E é justamente por isso, que vejo um esforço grande, por parte de lideranças em fazer o melhor por nossas crianças, por lutar pelo crescimento e bem da Igreja, por acreditarem que vale a pena crer na semente do Reino plantada nestes pequenos corações. Precisamos melhorar muito, é verdade, mas acredito no potencial que os leigos (catequistas) tem, de fazer uma catequese sempre melhor. Os catequistas são os protagonistas desta bela história, escrita com o suor e esforço de cada um.

Blog: Para você qual o verdadeiro motivo que leva às crianças e jovens a receberem o Sacramento da Eucaristia e Crisma e não retornarem mais para a igreja?

  Frei Alvaci:
Não podemos apontar culpados, para a maioria da desistência de nossos adolescentes e jovens da participação na Igreja, logo depois de receberem os sacramentos de Iniciação Cristã: Batismo, Confirmação e Eucaristia.
         Diversos podem ser os fatores que os afastam: falta de opções para jovens; catequistas despreparados ou desmotivados; falta de apoio familiar; crise de fé; base não muito sólida dos valores cristãos; dentre outros. Todos sabemos, que a adolescência e a juventude são por natureza, períodos de mudanças e de escolhas, e, se nós como comunidade de fé, não conseguimos apontar um referencial que os motive e cative, dificilmente estes jovens escolherão participar da catequese ou de algum movimento dentro da Igreja.
         Contudo, acredito que uma das grandes crises da modernidade, seja a desestruturação da “instituição família”. É nela que nascem e crescem os grandes valores que norteiam a sociedade, a vida de fé, os princípios. Se não temos esta primeira base, dificilmente os filhos e filhas optarão por algo que não conheceram “a priori”. Devemos entender a crise que passa a catequese, num contexto de uma crise global de transmissão de nossa sociedade e, mais particularmente, de uma crise de transmissão de fé. 

Blog: O que falta para que os pais compreendam que eles são a base inicial para a formação religiosa de seus filhos?

Frei Alvaci: 
Esta pergunta é um tanto complexa de ser respondida, visto que, devemos primeiro entender a formação religiosa dos próprios pais. Alguém só transmite a outro aquilo que lhe parece importante, de fato, os pais são os responsáveis primeiros pela educação e formação dos filhos. Mas eles só transmitirão aos filhos aquilo que para eles é de importância, ou, que eles acreditam ser de valia para o futuro dos seus filhos.
Contudo, quando entramos no campo religioso, as prioridades passam a ser outras. Não podemos generalizar, é claro, existem pais que fazem questão de dar uma solida formação religiosa a seus filhos. Porém, para muitos, os princípios cristãos e a formação cristã já não são mais base sobre os quais eles próprios se apóiam. Quero dizer, que, para um pai e uma mãe que não vão a missa, não participam da vida de fé da comunidade, e não partilham dos sacramentos, os valores de Igreja já não são tão importantes assim para serem transmitidos a seus filhos. Muitas vezes, repete-se o ritualismo dos sacramentos, faz-se porque sempre foi assim ou porque os documentos fornecidos pela Igreja serão úteis no futuro.
A vida de fé começa na família, só tendo uma fé sólida em casa, nossos catequizandos estarão mais abertos a tudo o que nossas catequistas estão dispostas a ensinar, e sobretudo, estarão abertos ao anuncio do Reino, que é sempre atual e único, mesmo dentro de uma sociedade tão controversa.
 *****
 Em breve a 2° parte desta entrevista.
Juntos na construção de uma Catequese melhor!

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